segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Quando o lobo em você acorda...




Eu realmente a amava
Eu realmente a idolatrava
Mas a matei
Por Deus!
 Eu a matei!
Cravei minha espada, de olhos fechados, em suas costas.
Senti sua carne sendo perfurada
Minhas lágrimas enchiam-me os olhos
Não tive coragem de vê-la
Nem ao menos de tirar a arma de meu crime de seu corpo
Senti o sopro de desaprovação dos Anjos
Ouvi seus lamentos e vi suas lágrimas
Mas não era pela morte dela que choravam
Era por mim
Derramavam suas lágrimas por minha alma
Caminhei de olhos fechados durante o dia
Fiquei de joelhos e chorei durante a noite
Uma noite inteira?
Não lembro
Faz tanto tempo
O Sol negou-me seus raios desde então
E a alegria?
Bem...
Esta me negou seus caprichos
Fui amaldiçoado
A viver na escuridão a amar minha vítima
Para sempre
Durante o dia durmo com o eco de seus lamentos
À noite caminho no silêncio, com meu arrependimento.
Por quê?
Por que não me permiti amar?
Por que mato todos que tentam aproximar-se?
Nunca mais ousei levantar meus olhos ao Céu
Nunca mais ousei olhar para trás, e voltar para onde a deixei.
Sammael sopra aos meus ouvidos
“Sua amada espera-lhe.
Linda! Pálida!
Por que foge dela?”
E ele ri
Zomba de mim
Chama-me de fraco
Nosso Pai nega-me a mortalidade
Mesmo quando oro para que cada noite seja a última
Parece divertir-se com minha dor
Com as zombaria de seu filho
Não me permite curar a ferida que abriu quando a matei
Nem me permite esquece-la
E isso dói, sangra.
Tortura-me
Os Anjos ainda choram
Até mesmo os demônios condenam-me
Somente Deus e Sammael divertem-se
E sua falta mata-me
Seu perfume,
Seu corpo, ainda no jardim onde deixei com minha espada.
Sinto falta...
De você

sábado, 13 de novembro de 2010

Dumb



Um casarão mal cuidado. Seu jardim era morto e sem graça. A chuva caía forte naquela noite. Raios iluminavam a fachada da velha casa.
Do caminho ouviam-se passos rápidos. De longe víamos a silhueta de alguém que se dirigia a porta da casa.
Felicidade adentrou a casa, e foi logo recepcionado pelo grito do Dr. Tédio, que vinha do quarto
- DUMB NASCEU!
No quarto mal iluminado por velas estavam Sr. Azar e Sra. Dor, com o médico, Dr. Tédio.
O obstetra cuidava da mãe de Dumb, que saíra chorando, como todas as crianças normais. Também estava pelado, careca, gordinho e coberto de sangue. O ar entrava por sua traquéia, queimando-lhe por dentro. Ele descobriu então que respirar é doloroso.
O bebê cresceu em sua casa cheia de quartos fechados, intransponíveis. Porém, ele não se importava, estava conseguindo ser o centro das atenções. Acostumaram-lhe com isso.
Sua avó, Carinho, enchia-o de amor e doces. Seu avô, desgosto, deu-lhe um carrinho de madeira.
Dumb estava feliz.
Uma criança sorridente. Encantada com todas as cores, e formas. Com o canto dos corvos em sua janela. Uma criança esperta e estúpida, como as demais.
Mas então aconteceu. Ele cresceu.
A partir de seus 9 anos, Dumb passou a brincar mais na rua. Gostava de passar o dia no jardim de sua mãe.
O jardim de Sra. Dor era imenso, do tamanho de seu coração. Muito espaço para seu filho divertir-se. Existiam umas árvores secas espalhadas pelo terreno acidentado. Urtigas, rosas vermelhas, brancas e negras, espinhais. Tudo isso havia por lá. Também encontrava-se um rio em meio a este. Era negro e sem vida. Existia apenas um banco em uma de suas margens , onde Dumb sentava-se para ver a Lua. Fascinava-se com o reflexo desta nas águas. Gostava de banhar-se com a luz da lua, na água.
Durante as tardes corria descalço por entre os espinhais, sobre pedras, até cansar-se. Então ele se deitava sobre uma roseira, e cheirava as pétalas negras das rosas que adorava. Olhava para o céu, enquanto os acúleos penetravam e rasgavam sua carne. Seus olhos dirigiam-se ao céu constantemente nublado, e ele implorava pela chuva, para poder sentir os pingos gelados em seu corpo.
Em uma destas tardes mui produtivas, o menino conheceu uma linda garotinha chamada Loucura. Nunca vira alguém tão bela quanto ela. Estava enfeitiçado, apaixonado. Aquela paixão estúpida da infância. Ali estava sua companheira de brincadeiras.
Um dia os dois corriam de mãos dadas pelo jardim, quando de repente Loucura teve uma idéia.
- Vamos correr nus Dumb? – perguntou com sua voz doce e infantil. Um sorriso de criança estampado no rosto.
- Tanto faz - respondeu ele cheio de apatia.
Então eles tiraram suas roupas, e voltaram a correr. Enfiavam-se entre urtigas e espinheiros. Os cabelos deixados para trás, o vento batendo em seus rostos.
O garoto parou de correr, e ficou quieto, olhando uma árvore seca.
- O que houve – perguntou a menina.
Ele apontou a árvore.
- Olha! Olha que lindo! – gritou com um brilho inocente e cheio de vida em seus olhos.
Loucura acompanhou o olhar dele e enfim notou o que fascinava Dumb. Um pássaro sozinho em um dos galhos mortos.
O passarinho era lindo. Suas penas azuis, seu bico preto. Mal tinha a altura de 10 centímetros. Ele fitava o chão.
As crianças sentaram-se em uma pedra enquanto apreciavam o passarinho azul, o qual levantou lentamente a cabeça e fitou-as. Serenamente ele seguiu até o fim do galho, e cantou uma melodia. Mas sua voz saiu fina, baixa. Quase um sussurro. Jogou-se ao ar, e caiu no chão. Quase não fez barulho.
Correram até o pássaro. Dumb pegou-o entre suas pequenas mãos, e o jogou ao ar.
- Voa Azulzinho!
E a ave caiu de novo ao chão. Dumb ficou um pouco decepcionado, mas não desistiu, e pegou-o novamente entre as mãozinhas, e o arremessou no ar.
- Voa Passarinho Azul!
E de novo ela foi ao chão.
- Deixe-me tentar Dumb!- Disse Loucura.
Ela o pegou, e repetiu o gesto do menino, mas sem efeito.
Assim passaram o dia, tentando fazer o passarinho voar, sem resultados.
No fim, ambos estavam já cansados. Dumb pegou o passarinho mais uma vez, e olhou-o zangado.
- Te odeio passarinho.
E foi embora, seguido por sua amiga.
Durante a noite ele voltou com uma caixa vermelha, forrada por dentro com uns panos. Pegou o pássaro amavelmente, e o colocou dentro dela.
- Vamos passarinho! Irei cuidar de você.

Síntese de Dumb

Estúpido! Eu? 
Dumb sonhava morrer, chegou perto, e desistiu, mesmo sabendo que um dia sua hora chegaria.
Dumb apaixonou-se, sentiu dores, caiu, levantou-se. Jurou que nunca mais iria apaixonar-se, mesmo sabendo que era inevitável.
Dumb sorria, e desejou parar de fazer isso. Ontem ele sorriu para mim, quando dizia que tinha conseguido parar de sorrir.
Dumb adorava chorar. Disseram a ele que era feio sentir-se triste. Ele achou a beleza da Tristeza, e continuou a chorar. 
Dumb apaixonou-se por uma garota, sorriu para ela, e então chorou.
Dumb, Idiotice e Loucura resolveram brincar de esconde-esconde.
Idiotice escondeu-se no nada, e nunca foi encontrada. Dumb escondeu-se em um bosque de agulhas, e Loucura procurou por ambos. Loucura chegou ao bosque de agulhas, quando notou algo suspeito por perto. Ao averiguar, colocou algumas agulhas para o lado, as quais furaram os globos oculares de Dumb. Loucura sentiu-se triste, e mudou seu nome para Tristeza, e nunca mais falou. 
Dumb apaixonou-se por Tristeza. Ambos andam sempre juntos.Dumb casou-se com Tristeza. Ambos viveram apáticos, sem vida. Uma relação em branco e preto. Formavam um lindo casal. Uma noite, estavam sob a sombra de uma árvore morta. Estúpido puxou uma faca, e escreveu em seu peito: Dumb & Tristeza Para sempre! Tristeza beijou Dumb, enquanto ele morria de hemorragia. 
Tristeza, agora sozinha, resolveu juntar-se a uma garota chamada Solidão.Tristeza agora tinha dois filhos, de seu casamento com Dumb, Escuridão e Medo. Solidão era a forma feminina de Dumb. Logo Tristeza apaixonou-se por Solidão. Solidão não era filha de qualquer Deus, ou de qualquer Anjo, menos ainda filha de qualquer Demônio. Era apenas filha de algum homem com alguma mulher.
Dumb, agora como Solidão, podia enfim enxergar. E maravilhou-se mais ainda em rever a beleza da Tristeza.
Solidão ainda sente o perfume das lágrimas, o abraço de Medo e Escuridão.
Solidão resolveu então fazer uma banda. E fez sucesso com esta. Fez uma turnê em três lugares: Inferno, Purgatório e Paraíso. Ela jura até hoje que foi tudo uma ilusão, fruto de sua dose diária de paixão, a mais pesada das drogas.
Tristeza fica em casa, cuidando de seus filhos. Nas horas vagas, cuida de sua notável, hipnotizadora, e sedutora beleza. Sua vizinha, Felicidade, sente inveja da Tristeza até hoje.
Solidão, Tristeza, Medo e Escuridão vivem hoje, confortavelmente sob sete palmos de terra. Cada um em sua linda caixa de madeira, com seus corpos consumidos por vermes. Claro que este não é o fim de sua estória, mas o começo, ou meio, ou algo mais. Vai se saber o que se passa pela cabeça do Destino.
Dumb acordou de um sonho estranho. Olhou-se no espelho, e viu Solidão. Abraçou Tristeza, Medo e Escuridão, e jogou-se em um abismo. 
A banda de Solidão, a Abyss, encerrou sua carreira, e todos os outros membros, Enigma e Ele Mesmo, morreram de forma estranha.
Dumb e Solidão leram juntos sua biografia, não aprovaram, e não podiam fazer nada.
Dumb escreveu sua biografia.
Solidão escreveu sua biografia.
Idiotice nunca mais foi encontrada.

Sono, cansaço, tédio...



Quanto tempo falta ainda?
Ainda estou cansado
Enjoado
Quantos passos ainda restam?
Até lá estarei cansado
Já terei regurgitado
Bem que às vezes dá vontade de sentar aqui mesmo
E ver se o chão se move para trás
Seria tão mais fácil
Outras vezes desejo apenas deitar
E ver se tudo acaba logo
Mas diz aí
Quantas horas faltam ainda?
Está ficando tão frio que estou me queimando
Estou bocejando,
Babando
Estourando por dentro
Uma pausa, por favor.
Quero apenas dormir
Um sorriso
Estou chateado
Ria para eu poder deitar
Ouça-me silenciar então
Mate-me de rir
Ou compre uma bola de vidro e me prenda
Role-me por aí
Rache-me ao meio
Esquente-me um pouco
Relembre aqueles momentos
Àqueles idiotas
Suma com minha voz
Venha quando menos espero
Esvazie-me
Zoe-me
Esqueça-me
Sue comigo
Tanto para não dizer nada
Tolere-me por uma noite
Deixe-me dançar com você uma canção que só eu ouço
Não importa porque você deveria dançar
Mas por que eu mereço dançar?
Estou tão tonto
Poderia dizer que você até me faz mal
Mas tudo bem
Gosto desse seu veneno
Sonífero
Estou tão cansado
Vou dormir
Ver se acho perfeição
Algo como um estupro consentido da alma
Alguma besteira poética do tipo
Realmente o termo certo pouco importa
Se eu morrer por você
Quem irá viver por mim?
Tudo tão confuso
Nada a lhe oferecer
Exceto palavras que não entendo
E não posso lhe amar
Mas amor não existe mesmo
Esqueça
Queria escrever
Mas todos interpretam mal
Queria ser esquizofrênico
Arranjar companhia com as árvores
Ou sombras
Sei lá com quem, ou o quê
Alguém que me ouça cantar
E não encha a porra do meu saco
Desculpe-me pelas palavras
Mal educadas
Não lhes dei uma boa formação
Péssimo pai
Quero correr pelado
Agora vou pegar uma curva
E dormir