segunda-feira, 29 de março de 2010

Insofismável

Sou, insofismavelmente, um mentiroso
Um mentiroso de coração quebrado
Perdido em mentiras que eu mesmo criei
E que, por comodidade, aceitei como verdades
Fingi ter cola para, como disse Kurt Cobain
Colar os pedaços quando caísse das nuvens
Mas como ele também disse
"Ela virá como fogo para queimar todos os mentirosos"
Não Frances Farmer, A Tristeza
E do mesmo jeito
"Sinto a falta do conforto em estar triste"
Triste como agora
Quem dera acreditasse que estou mesmo triste
Que estava feliz
Entretanto, meu poder de persuasão esvaiu-se
Minha capacidade de criar falsas lembranças foi para o ralo
Então mergulho na merda
E aqui estou eu, dividindo meia garrafa de absinto com metade de mim
Dividindo minha insônia com o quarto vazio e a casa dormindo
Mas é o que acontece quando se apaixona pelo impossível
Acaba-se sozinho e vazio
Esqueci-me que sou a dama que penetro e o travesseiro sobre o qual choro
Mesmo assim quis ser eu o beija-flor de Heinrich Heine, em Neur Frühling,
Mas fui a peste que acabou com as rosas
E o veneno fumegante que provei todas as manhãs na xícara sem alça
Mostrei-me a perturbação consciente do insano no espelho
Com feridas cicatrizadas, mas não saradas por dentro
Cortes profundos jamais saram.
Bem disse aquela música, "Death, come near me"
"Eu procuro a noite e espero encontrar um amor"
Mas impossível alguém que não ama, apenas finge, encontrar tal sentimento
Como disse aquela música
"De dia eu durmo, de noite eu choro"
Trancado dentro de mim mesmo

Aqui sou eu
Metade carne, metade cinzas
Todo em pedaços, uma parte em pó
Aqui estou, invisível
Aparecendo para todos
Sozinho
Aqui está algo muito primitivo
O instinto de buscar a felicidade
Esqueci-me de confessar-me
Se estou confundindo as coisas, devo ser o maior estúpido conhecido
Confundir-se durante três anos seria demasiado burro de minha parte
E cruel comigo mesmo
Típico de minhas personalidades sentimentalmente sádica e masoquista
Esperar pelo que não chega
E chegou o fim
Esqueci-me que sou a lâmina que me degola e o sangue que agora jorro
A morte que me carrega e os vermes que me devoram.

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