quarta-feira, 22 de dezembro de 2010
Eu
Se você fosse eu, nada mudaria. Você pensaria como penso, agiria como ajo, e faria o que fiz. Entendeu, idiota?
Bem, já começamos mal, definitivamene esse não é um bom modo de fazer você ir com a minha cara, mas... bem, não vou me esforçar para mudar sua opinião.
Ora, vejo que você está se esforçando para gostar de mim. Seria isso uma necessidade de não me achar um otário? Bem, não importa. O fato é que... bem, não importa.
Sou um cara legal, juro, com quem é legal comigo. Estou pouco ligando para o que vocês pensam ou não, a menos que você seja, ou será, meu patrão, aí as coisas mudam, totalmente. O senhor gostaria de uma xícara de café? Algo em que possa ajudar?
Enfim. Sou um cara sincero, e não gosto de ficar falando dos outros por aí, pois, sinceramente, a vida dos outros não me importa. A minha já é complicada, interessante, e divertida o suficiente para eu ter que me importar e cuidar com, e da, a de terceiros.
Sou mau humorado, chato, meio ansioso, e desconfiado demais, eu sei. O fato é que se eu gostar de você, e me importar muito, o que acontece com quem gosto, bem, você me terá nas mãos, como seu brinquedinho, ao seu lado como seu aliado, e atrás como seu segurança. Mas se você puxar meu tapete, jamais esquecerei, e tampouco perdoarei. Se você me achar fraco por ser incapaz de perdoar, bem, o problema é seu.
Algo mais a falar? Ah sim. Sou teimoso, um cabeça dura. E alio isso bem, bem demais para falar a verdade, com orgulho. Isso nunca foi bom para mim, mas o que posso fazer? Tentar mudar, de novo?
Adoro História, e música. Boa música. Isso é totalmente relativo, mas o que gosto, considero bia música.
Adoro ler, quase de tudo, mas odeio esses livros de espiritimos e auto-ajuda. Se quer me dar algo inútil, para mim, dê-me um livro desses.
Esses dias estava pensando em como a vida é engraçada, às vezes.
"Deus é um piadista. Prova disso é o ornitorrinco."
Cara, adoro essas frases. Não lembro quem me disse isso, e não faço a mínima idéia de como se escreve o nome desse "pato mamífero sem asas". Enfim, que piada.
Já disse tanto que não acreditava em Deus, que agora estou começando a acreditar que existe, como se sempre acreditasse, e olha só, ele deve existir. Ó merda. Vou para o Inferno.
Vamos pro Inferno?
Sabe, "enchi a cara" de sorvete de passas ao rum, e muita coca-cola. Perdoe-me se estou falando besteiras, mas vêm todas do útero, juro. Esqueci que não tenho útero. Bem, dos intestinos, se assim prefere.
Se eu disse que amo, simplesmente ignore, não sei o que estou dizendo. Um dia saberei, e vou me arrepender de ter dito para você esquecer, talvez. mas... Cés't la vi. Já perceberam que meu francês é péssimo né? Bem, se o português de todos é ruim, por que meu francês teria de ser bom?
Cara, preciso tomar outro copo de coca. Será qu ganharei alguma coisa por fazer propaganda da Coca-Cola no meu perfil? Do jeito que sou "cagado" sou capaz de ganhar um processo, isso sim. Pior que coca nem é meu "refri" favorito, e sim o grande Guaraná Antarctica.
Estava realmente com sede, agora estou com sono.
Beijos meninas, ou abraços, ou nada, simplesmente ignorem.
Até rapazes.
Ora vejam, achei meu CD perdido, aliás, anteriormente perdido, agora reencontrado, do Oasis. Legal. Acho que deixarei de dormir, e o ouvirei.
"Maybe I don't really want to know
How your garden grows
'Cause I just want to fly
Lately, did you ever feel the pain?
In the morning rain
As it soaks it to the bone?"
Cara, adoro essa música. Quase lacrimejei agora. Ah, a quem engano? Lacrimejei mesmo.
Vou ler alguma coisa agora. Não comprei livros para enfeitarem minha estante.
Agora sim.
"Flw" pessoal.
segunda-feira, 15 de novembro de 2010
Quando o lobo em você acorda...
sábado, 13 de novembro de 2010
Dumb
Do caminho ouviam-se passos rápidos. De longe víamos a silhueta de alguém que se dirigia a porta da casa.
Felicidade adentrou a casa, e foi logo recepcionado pelo grito do Dr. Tédio, que vinha do quarto
- DUMB NASCEU!
No quarto mal iluminado por velas estavam Sr. Azar e Sra. Dor, com o médico, Dr. Tédio.
O obstetra cuidava da mãe de Dumb, que saíra chorando, como todas as crianças normais. Também estava pelado, careca, gordinho e coberto de sangue. O ar entrava por sua traquéia, queimando-lhe por dentro. Ele descobriu então que respirar é doloroso.
O bebê cresceu em sua casa cheia de quartos fechados, intransponíveis. Porém, ele não se importava, estava conseguindo ser o centro das atenções. Acostumaram-lhe com isso.
Sua avó, Carinho, enchia-o de amor e doces. Seu avô, desgosto, deu-lhe um carrinho de madeira.
Dumb estava feliz.
Uma criança sorridente. Encantada com todas as cores, e formas. Com o canto dos corvos em sua janela. Uma criança esperta e estúpida, como as demais.
Mas então aconteceu. Ele cresceu.
A partir de seus 9 anos, Dumb passou a brincar mais na rua. Gostava de passar o dia no jardim de sua mãe.
Durante as tardes corria descalço por entre os espinhais, sobre pedras, até cansar-se. Então ele se deitava sobre uma roseira, e cheirava as pétalas negras das rosas que adorava. Olhava para o céu, enquanto os acúleos penetravam e rasgavam sua carne. Seus olhos dirigiam-se ao céu constantemente nublado, e ele implorava pela chuva, para poder sentir os pingos gelados em seu corpo.
Em uma destas tardes mui produtivas, o menino conheceu uma linda garotinha chamada Loucura. Nunca vira alguém tão bela quanto ela. Estava enfeitiçado, apaixonado. Aquela paixão estúpida da infância. Ali estava sua companheira de brincadeiras.
Um dia os dois corriam de mãos dadas pelo jardim, quando de repente Loucura teve uma idéia.
- Vamos correr nus Dumb? – perguntou com sua voz doce e infantil. Um sorriso de criança estampado no rosto.
- Tanto faz - respondeu ele cheio de apatia.
O garoto parou de correr, e ficou quieto, olhando uma árvore seca.
- O que houve – perguntou a menina.
Ele apontou a árvore.
- Olha! Olha que lindo! – gritou com um brilho inocente e cheio de vida em seus olhos.
Loucura acompanhou o olhar dele e enfim notou o que fascinava Dumb. Um pássaro sozinho em um dos galhos mortos.
O passarinho era lindo. Suas penas azuis, seu bico preto. Mal tinha a altura de 10 centímetros. Ele fitava o chão.
As crianças sentaram-se em uma pedra enquanto apreciavam o passarinho azul, o qual levantou lentamente a cabeça e fitou-as. Serenamente ele seguiu até o fim do galho, e cantou uma melodia. Mas sua voz saiu fina, baixa. Quase um sussurro. Jogou-se ao ar, e caiu no chão. Quase não fez barulho.
Correram até o pássaro. Dumb pegou-o entre suas pequenas mãos, e o jogou ao ar.
- Voa Azulzinho!
E a ave caiu de novo ao chão. Dumb ficou um pouco decepcionado, mas não desistiu, e pegou-o novamente entre as mãozinhas, e o arremessou no ar.
- Voa Passarinho Azul!
E de novo ela foi ao chão.
- Deixe-me tentar Dumb!- Disse Loucura.
Ela o pegou, e repetiu o gesto do menino, mas sem efeito.
Assim passaram o dia, tentando fazer o passarinho voar, sem resultados.
No fim, ambos estavam já cansados. Dumb pegou o passarinho mais uma vez, e olhou-o zangado.
- Te odeio passarinho.
E foi embora, seguido por sua amiga.
Durante a noite ele voltou com uma caixa vermelha, forrada por dentro com uns panos. Pegou o pássaro amavelmente, e o colocou dentro dela.
- Vamos passarinho! Irei cuidar de você.
Síntese de Dumb
Dumb, agora como Solidão, podia enfim enxergar. E maravilhou-se mais ainda em rever a beleza da Tristeza.
Sono, cansaço, tédio...
Ainda estou cansado
Enjoado
Quantos passos ainda restam?
Até lá estarei cansado
Já terei regurgitado
Bem que às vezes dá vontade de sentar aqui mesmo
E ver se o chão se move para trás
Seria tão mais fácil
Outras vezes desejo apenas deitar
E ver se tudo acaba logo
Mas diz aí
Quantas horas faltam ainda?
Está ficando tão frio que estou me queimando
Estou bocejando,
Babando
Estourando por dentro
Uma pausa, por favor.
Quero apenas dormir
Um sorriso
Estou chateado
Ria para eu poder deitar
Ouça-me silenciar então
Mate-me de rir
Ou compre uma bola de vidro e me prenda
Role-me por aí
Rache-me ao meio
Esquente-me um pouco
Relembre aqueles momentos
Àqueles idiotas
Suma com minha voz
Venha quando menos espero
Esvazie-me
Zoe-me
Esqueça-me
Sue comigo
Tanto para não dizer nada
Tolere-me por uma noite
Deixe-me dançar com você uma canção que só eu ouço
Não importa porque você deveria dançar
Mas por que eu mereço dançar?
Estou tão tonto
Poderia dizer que você até me faz mal
Mas tudo bem
Gosto desse seu veneno
Sonífero
Estou tão cansado
Vou dormir
Ver se acho perfeição
Algo como um estupro consentido da alma
Alguma besteira poética do tipo
Realmente o termo certo pouco importa
Se eu morrer por você
Quem irá viver por mim?
Tudo tão confuso
Nada a lhe oferecer
Exceto palavras que não entendo
E não posso lhe amar
Mas amor não existe mesmo
Esqueça
Queria escrever
Mas todos interpretam mal
Queria ser esquizofrênico
Arranjar companhia com as árvores
Ou sombras
Sei lá com quem, ou o quê
Alguém que me ouça cantar
E não encha a porra do meu saco
Desculpe-me pelas palavras
Mal educadas
Não lhes dei uma boa formação
Péssimo pai
Quero correr pelado
Agora vou pegar uma curva
E dormir
sexta-feira, 20 de agosto de 2010
Passagem
Às vezes você deseja a passagem
Tanto quanto deseja um banhod e chuva em um dia quente
Ou dormir abraçado com você quem gosta em uma noite fria
Mas lhe bate a incerteza e você se nega a aceitá-la
E se encolhe, esconde-se, tenta esquecer
E que com um "clic" faça sua passagem surgir
Pegá-la, sair daqui
Apenas para morar no Lugar Distante
Com o qual às vezes sonha, deseja
Aquele que sempre teme
Às vezes você deseja não precisar pegar a passagem
Poder sentar na cama, com os pésdescalços no chão frio
Caminhar à cozinha, tomar um café forte e quente
Ver que tudo foi apenas uma ilusão, que nada lhe afetou realmente
Mas por mais que queira, que tente
Jamais consegue acordar
Encher a cara e pagar a passagem
Deitar e sonhar que tudo é um pesadelo
Não sabe para onde, não se importa
Tudo o que procura
sexta-feira, 2 de abril de 2010
Rasgos
Perdi o rumo, o chão: perdi a fala.
Fiz-me cortês e, então, p'ra conquistá-la
Rasguei uns versos com tinta vermelha
Mas foi em vão tal poesia torta
Porque não te iludiam os pronomes
Para que me notasses, nossos nomes
Rasguei na casca duma árvore morta
E vendo qu'inda tinha fracassado,
Tentei um método desesperado:
Rasguei a pele em tatuagem rasa!
E ao perceber que não serias minha
Te amei da forma como me convinha:
Rasguei-te o peito e te pus toda em brasa!"
Victor Ribeiro
quinta-feira, 1 de abril de 2010
Esquecido
Lembrando agora do garoto que se foi, não sabe para onde
Se foi sozinho, levando dela apenas uma fotografia e um gosto amargo na boca
Foi-se cego, recordando o crepúsculo, as estrelas e a Lua
Desiludido, cansado, desanimado
Sussurrou uma canção não mais tocada, jamais cantada
Cambaleou, escorregou e à Morte se agarrou
Caiu sozinho, perdido
Deixou escapar entre os dedos a última chance
Desesperado, atordoado, viu pela última vez o amor
Acreditou, foi ferido, sobreviveu e desistiu.
segunda-feira, 29 de março de 2010
Insofismável
Um mentiroso de coração quebrado
Perdido em mentiras que eu mesmo criei
E que, por comodidade, aceitei como verdades
Fingi ter cola para, como disse Kurt Cobain
Colar os pedaços quando caísse das nuvens
Mas como ele também disse
"Ela virá como fogo para queimar todos os mentirosos"
Não Frances Farmer, A Tristeza
E do mesmo jeito
"Sinto a falta do conforto em estar triste"
Triste como agora
Quem dera acreditasse que estou mesmo triste
Que estava feliz
Entretanto, meu poder de persuasão esvaiu-se
Minha capacidade de criar falsas lembranças foi para o ralo
Então mergulho na merda
E aqui estou eu, dividindo meia garrafa de absinto com metade de mim
Dividindo minha insônia com o quarto vazio e a casa dormindo
Mas é o que acontece quando se apaixona pelo impossível
Acaba-se sozinho e vazio
Esqueci-me que sou a dama que penetro e o travesseiro sobre o qual choro
Mesmo assim quis ser eu o beija-flor de Heinrich Heine, em Neur Frühling,
Mas fui a peste que acabou com as rosas
E o veneno fumegante que provei todas as manhãs na xícara sem alça
Mostrei-me a perturbação consciente do insano no espelho
Com feridas cicatrizadas, mas não saradas por dentro
Cortes profundos jamais saram.
Bem disse aquela música, "Death, come near me"
"Eu procuro a noite e espero encontrar um amor"
Mas impossível alguém que não ama, apenas finge, encontrar tal sentimento
Como disse aquela música
"De dia eu durmo, de noite eu choro"
Trancado dentro de mim mesmo
Aqui sou eu
Metade carne, metade cinzas
Todo em pedaços, uma parte em pó
Aqui estou, invisível
Aparecendo para todos
Sozinho
Aqui está algo muito primitivo
O instinto de buscar a felicidade
Esqueci-me de confessar-me
Se estou confundindo as coisas, devo ser o maior estúpido conhecido
Confundir-se durante três anos seria demasiado burro de minha parte
E cruel comigo mesmo
Típico de minhas personalidades sentimentalmente sádica e masoquista
Esperar pelo que não chega
E chegou o fim
Esqueci-me que sou a lâmina que me degola e o sangue que agora jorro
A morte que me carrega e os vermes que me devoram.
Não vês?
Não vês?
Não sentes ao teu lado a criança que deseja palpitar em teu seio?
Não notas que deseja beber de teus lábios
E descansar à tua sombra na noite?
Não te importas que trema de frio?
Que busque com o olhar tua silhueta?
Murmure como louco
E balbucie tristemente teu nome ao silêncio?
Digo-te que me importo
Que sangro lágrimas
Que busco teu mel em sonhos para acordar com a boca seca
Que me aperta o peito por meus braços não te alcançarem
E teu perfume, droga cruel
Paralisa-me, faz-me desejar-te
Arranca-me os sentidos de tudo à volta
Apenas resta-me desejar o calor do teu corpo
Onde estás?
Por que foges?
Não vês que de mim roubas em silêncio o orgulho e a paixão?
Que retiras de mim a vontade de viver?
Não vês que sou teu escravo
Que sangro aos teus pés
Que te quero apenas para mim
E estou doente por não ter teu amor




